Publicado por: lcblumerdias em: 23 de junho de 2010
No sufoco, engula com manteiga

A despedida da Bahia foi com um jantar na casa de Hugo e Catarina. O simpático casal nos ofereceu um xinxin de galinha com vatapá e caruru (o arroz, nem experimentei, isso eu como em casa) com torta de chocolate e pudim de tapioca de sobremesa. Mara saiu de lá com as receitas (espero que ela divida com vocês, postando aqui) e várias porções para congelar com a promessa de só degustar ao cruzar o Equador.
Antes do jantar visitamos o Hotel Praia da Sereia, que a família Vidal toca na Av. Dorival Caymmi (onde poderia ser? Em Itapuã, claro!). Hugo me garantiu um desconto de 40% nas diárias para os leitores deste blog que sejam velejadores, motociclistas ou que tenham feito o Caminho de Santiago (tem que provar mostrando a carteira da ABVC, de algum iate clube, a compostelana ou chegando de moto).
A “cachaça” de Hugo já foi o motociclismo, mas depois de rodarem o Brasil de Harley Davidson e de dois enfartes (Catarina, como é uma mulher solidaria, também já teve um) resolveram partir para algo mais light e escolheram a vela de cruzeiro. O casal, que veleja no Delta 36’ Maruja, tem só quatro anos de mar. Na primeira atracagem na Itaparica Marina foi um show digno de vídeocassetada. Ao passar o cabo de amarração para o marinheiro no píer, Hugo foi junto e caiu n’água deixando Catarina, que nunca tinha engrenado uma ré, sozinha a bordo. Uma tripulante do Maracatu (não o nosso, em Salvador tem um catamarã chamado Maracatu), que assistia a cena, foi logo gritando: se esse filho da p%#@ gritar “ai meu barquinho”, ele vai se ver comigo! Felizmente tudo se resolveu, Catarina conseguiu encostar o barco e Hugo, ainda na água, gritou mesmo foi “ai minha mulher”.
No ano passado eles saíram para ir à Baía de Camamu e acabaram esticando até Ilhabela. Ela me contou que na volta, chegando à Ilha Grande, pegaram um mar tão enressacado que achou que iam naufragar. Mas não se fez de rogada, munida de uma maquina de filmar gravou um pungente depoimento. Mostrando “as ondas que chegaram a inundar o bote amarrado no turco”, disse que estava ali por escolha, que o marido não tinha culpa de nada, que era um sufoco danado, mas estava feliz. Depois tirou o chip da câmera e pegou um pote de manteiga. Aí não me contive e perguntei: pra que a manteiga? Eu vi num filme, Catarina me respondeu séria. Qual? O último tango em Paris, repliquei de sacanagem. Não, ela me disse mais seria ainda, a manteiga era para engolir o chip! Se acontecesse o desastre eminente, certamente achariam seu corpo e a mensagem chegaria aos três filhos que ficaram em Salvador. Passado o susto, o Maruja já está inscrito na próxima Refeno e depois, quem sabe?, segue até o Caribe.
Agora, por precaução, tenho sempre um pote de manteiga a bordo do MaraCatu.
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Estamos passando pelo través do farol de Itapuã. Deixamos Itaparica hoje pela manhã, pouco antes de começar o inverno no Hemisfério Sul, com destino à Cidade do Natal, talvez nosso último porto Brasileiro. O Ferrara está com os tanques limpos, super abastecido e com novos bicos injetores.
Esta foto vai pra Miroca, que comentou ter ficado com água na boca com o acarajé da Cira. Este é da baiana que agora faz ponto na Itaparica Marina. Note que são dos pequenininhos, daqueles do santo. Bom apetite.
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Alguém aí já falou que Salvador é composta por átomos de hidrogênio, acarajé e dendê. Confirmei isso no domingo passado. O casal Hugo e Catarina, do veleiro Maruja, nos pegou na Bahia Marina e após um city tour que incluiu o Farol da Barra, parada numa barraca de praia para ver a vista e molhar a goela, praia de Piatã, outra parada noutra barraca de praia para ver a vista e molhar a goela, a Lagoa do Abaeté…, nos levou para almoçar no tradicional acarajé da Cira, mais de 30 km depois, no Largo da Sereia lá na praia de Itapuã.
A baiana Cira, junto com a casa onde morava Dorival Caymmi – hoje um hotel -, é uma instituição em Itapuã. Enquanto as outras barracas juntam uns dois ou três gatos pingados, a dela é super concorrida e sempre tem fila, principalmente no fim de uma tarde de domingo. Acredito sair daquelas panelas e vasilhas a montanha de mais de dois mil acarajés/dia.
Depois do crocante acarajé recheado com vatapá e suculentos camarões secos (Mara comeu dois!), pedi a Cira para fotografá-la. A baiana, que tem fama de mal-humorada, “às 6 da manhã já estava no batente”, não só concordou com um sorriso largo, como, vaidosa e perfumada, se arrumou para a seção de fotos. O resultado você vê aí embaixo.
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O mar está de ressaca (nunca vi um aviso de mar grosso tão extenso, praticamente toda a costa leste). Enquanto o mar não muda de humor para seguirmos para Recife, ficamos aqui fazendo umas coisinhas no Ferrara. Você já sabe que o que mais os cruzeiristas esperam na vida é uma janela no tempo e rasgar a lista de coisas a consertar a bordo.
Com o barco bem amarrado a um píer na marina, com todos os lançantes e springuers possíveis (já pocou um deles), igual ao navio do capitão-de-longo-curso Vasco Moscoso de Aragão, o personagem de Jorge Amado em Os Velhos Marinheiros, no fim de semana fomos ver a força do mar. Espetáculo bonito de se assistir de longe.
Soube por aí que Ronaldinho Gaúcho está de férias na Bahia. Hoje também estou, vou ver se topo com ele na Praia da Barra no Arena Fest Salvador, uma infraestrutura similar aos “fun fest´s” que a Fifa organiza nas cidades sedes da Copa, com três telões de LED de alta definição para transmissão dos jogos e como tudo na Bahia termina em festa, depois tem show da Banda Eva e trio elétrico em um verdadeiro carnaval verde e amarelo, do Farol ao Cristo.
Parte da tripulação está achando que é um autentico programa de índio (e cinco cocares, como diz Egle do blog Pintando o Setti), são esperadas 60 mil pessoas! Amanhã vou acordar com ressaca de futebol e o Brasil com ressaca alcoólica, principalmente se a seleção canarinha pentacampeã do mundo ganhar o jogo contra os incansáveis homens de olhinhos puxados que, diz o Google, ocupam a pior posição no ranking da Fifa entre as 32 equipes participantes do torneio. Quem viver verá.
NR – O Jornal Virtual, em sua seção ESPORTES/TURISMO/CURIOSIDADES está acompanhando uma viagem transatlântica de um barco de 20 metros, com motor e vela, e tripulação de 4 pessoas, desde Angra dos Reis (Marina Bracuhy) no estado do Rio de Janeiro até Barcelona, na Espanha. A única tripulante feminina é Mara Blumer, filha de Luiz Blumer, Editor Chefe deste Jornal. A descrição da viagem é feita por Hélio Viana, marido de Mara no blog http://maracatublog.wordpress.com e transcrita para o Jornal Virtual por Luiz Blumer. Quem desejar saber a qualquer momento a posição do barco, entre no site:
http://share.findmespot.com/shared/faces/viewspots.jsp?glId=0ZHK51cmr6vUqYDDWIO1NGoerjqEUjNXS
(Editado por Luiz Blumer)
NR 2 – Em sua estadia na Baía o Ferrara ficou numa marina na Ilha de Itaparica:
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